sábado, 12 de fevereiro de 2011

O outro lado da moeda

Procurados pela revista abcDesign, apresentamos artigo sobre o site We do Logos, publicado na edição on line no dia 11 de fevereiro de 2.011. Ela pode ser vista e debatida tanto aqui no blog, como no próprio site da revista. Veja o link: http://abcdesign.com.br/noticias/o-outro-lado-da-moeda/

O We do Logos, se coloca à disposição para participar e ampliar o debate sobre os novos rumos do design brasileiro.


O outro lado da moeda

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Com toda a confusão do We do logos esta semana, e considerando que a principal crítica em relação à matéria da Globo News foi a parcialidade, resolvemos fazer uma entrevista com o pessoal da empresa e dar a eles a oportunidade de falar o ponto de vista deles em relação às críticas. Baseamos as perguntas nos principais pontos levantados pelos designers, que questionaram principalmente como um modelo desse afeta a percepção e valorização do design.

Segue aqui, a entrevista ipsis literis, feita via email, com o Gustavo Mota, diretor executivo e de criação da We do logos.

Como é entregue o briefing? existe informações mínimas para os clientes apresentarem o briefing ou isso fica a critério deles?

Todo processo é online, feito em nossa plataforma. O cliente preenche o briefing com informações sobre a sua empresa, segmento de atuação, público-alvo e os desejos e diferenciais de seu negócio, upload de arquivos com fotos da empresa ou referencias. Além disso, o cliente e os designers podem se comunicar pelo forum de cada projeto, para assim, alinhar os trabalhos.

O que vocês entendem por marca? e na opinião de vocês como isso gera valor à empresa?

Como eu, com 11 anos de experiência em design gráfico, poderia definir melhor o conceito de marca do que mestres como Wollner e Strunck?  Para mim, David Ogilvy define perfeitamente: MARCA É A SOMA INTANGÍVEL DOS ATRIBUTOS DE UMA PRODUTO: SEU NOME, EMBALAGEM E PREÇO, SUA HISTÓRIA, REPUTAÇÃO E A MANEIRA COMO ELE É PROMOVIDO. A MARCA É TAMBÉM DEFINIDA PELAS IMPRESSÕES DOS CONSUMIDORES SOBRE AS PESSOAS QUE A USAM, ASSIM COMO PELA SUA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA PESSOAL. Mas ressalto que o We do Logos não entrega uma marca ao final do processo, mas participamos de sua construção. Sabemos que branding é muito maior do que o simbolo com um tipo.

O que, para vocês, faz uma boa identidade visual?

Uma boa identidade visual é aquela que sintetiza um negócio, pessoa ou produto.

A precificação de vocês varia com as quantidades de opções, mas também pela qualidade do designer. qual é o critério para avaliar essa qualidade?

A precificação é baseada no VALOR que o cliente tem sobre o produto. Se este entende que um logo (símbolo + tipo) vale R$ 195, ele cadastrará um projeto neste valor. E se outro cliente entende que um logo vale R$ 1.100, ele também utiliza a mesma plataforma para essa criação.  Da mesma forma,  os designers podem filtrar os projetos que desejam participar. Inclusive, deixamos claro aos  clientes que o teor do projeto e o valor pago são os principais fatores que influenciam na decisão de participação dos designers.

Quando o preço é personalizado, ele tem a direito a escolher quem vai fazer? como isso funciona?

O sistema é o mesmo, independente do investimento. No We do Logos, o cliente define um preço, mas é o designer de define se quer ou não participar de um ou outro projeto. A qualquer momento o cliente tem a possibilidade de convidar um designer cadastrado para participar de seu projeto, independente do valor pago, mas como disse, a decisão de participar é do designer.

Alguns logos aparecem eliminados, qual o critério para isso?

A eliminação e pontuação  das logos é uma decisão do cliente. Este, além de utilizar o forum para se comunicar com os designers participantes, elimina ou pontua uma arte no intuito de direcionar os designers para atingir suas expectativas.

Grande parte das críticas vieram do fato de o design ser uma profissão ainda desvalorizada, vista por empresários como um “desenhinho”, e não uma ferramenta de construção de marca que depende de muitos outros elemento além da identidade visual. A empresa de vocês, não ajuda a perpetuar essa percepção?

Discordo completamente.

A We do Logos, pelo contrário, contribui para a valorização da profissão, pelas seguintes razões:
1-    Estamos inserindo no mercado profissionais criativos e capacitados que ainda não tiveram oportunidade de mostrar o seu VALOR, por questões de mercado de trabalho ou até mesmo por residirem distante dos grandes centros;
2-    Estamos dando oportunidades aos mais jovens, com potencial de desenvolvimento profissional, no sentido de adquirirem experiência e de aprenderem a lidar com as nuances do mercado;
3-    Estamos dando oportunidades às micro e pequenas empresas de terem acesso a essa ferramenta;
4-    Estamos promovendo um fórum de discussões, onde questões de interesse da classe estão sendo levantadas.

O nosso site ajuda tanto o designer iniciante a criar um portfolio, ter seu primeiro contato com um cliente de verdade, quanto profissionais que além de poderem fazer um freela, podem divulgar seu trabalho. A proposta do site é de conectar empresas e designer para gerar negócios onde os 2 lados se beneficiem. Temos certeza de estarmos contribuindo positivamente para a divulgação e propagação do design, pois entregamos soluções em comunicação visual em cidades que antes eram totalmente desabastecidas destas soluções, no Brasil e no exterior.

O processo de registro de marcas pode ser complexo, exige uma pesquisa no INPI e, no caso de existir algo semelhante, o cliente arrisca perder o logo comprado. Como é processo disso dentro da We do Logos? de quem é essa responsabilidade e o que acontece se o logo não passa no registro do INPI?

Como havia dito, o site é uma plataforma que conecta os designers aos clientes. Toda responsabilidade sobre direitos de propriedade e autorais são assumidas por cada usuário no ato de seu cadastro. Desta forma, o procedimento de entrega de uma criação adotado por cada usuário no site, deve ser o mesmo adotado fora dele. Apenas colocamos online um processo que era feito offline.

Qual foi o critério de vocês para definir as precificações? muitas das críticas também foram em relação à valorização do serviço (do conhecimento que está por trás), ao pagamento pelo tempo de trabalho, etc. como vocês entendem essas questões?

O preço foi baseado em pesquisas de mercados na visão do cliente e na aceitação por parte dos designers. Com 4 meses, já temos mais de 300 cliente (no Brasil e no Exterior) e 2.000 designers (ou criativos, já que como a profissão não é regulamentada, não temos como destinguir, apesar de sabermos que isso iria valoriza muito nosso site).

O site não é um emprego, é uma competição criativa, um freela, algo leve, onde o designer pode participar, se comunicar, ver o que está rolando e principalmente se conectar com outros designers.

O designer pode participar do projeto que mais lhe interessar. Temos cliente que abrem um projeto e solicitam que apenas um específico designer participe.

O valor de uma marca pode ser um dos bens intangíveis mais valiosos de uma empresa. no caso de um crescimento excelente de um dos seus clientes, o valor pago pela marca não pode acabar parecendo pequeno?

Aí voltamos a velha história da marca criada para a NIKE. Será que a marca é só um símbolo?

Como vocês se sentiram sendo bode expiatório de um problema que é muito maior que vocês?

As pessoas não gostam de mudanças, foi assim quando a Wikipédia entrou no ar, com um clamor por parte dos acadêmicos, foi assim quando Blogueiros foram contratados por jornais e não seria diferente agora. Temos que saber que o mundo está mudando, as relações comerciais e interpessoais estão mudando. Cabe a cada um se adaptar e levar a vida da melhor forma possível. Como separar designers de micreiros, é uma pergunta retórica, não tem como. Acredito que se cada profissional, em qualquer profissão, fizer seu trabalho da melhor maneira possível e souber se vender bem, certamente o mercado absorverá seu trabalho. Há mercado e oportunidade para todos.


E não é que até a Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign) acabou também se pronunciando nesse meio termo? Mais um ponto de vista para entrar nesse debate: Segue reproduzido o comunicado oficial:


A Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign) - entidade que representa as empresas de design do Brasil - vem a público se manifestar sobre a atuação da empresa We do Logos, que cria concorrência on-line para a confecção de logomarcas e que tem sido objeto de longos debates das mídias sociais digitais nos últimos dias.Para a Abedesign e seus associados, essa prática está longe de atender às expectativas das empresas preocupadas com sua imagem corporativa. 


Mais do que desenhar uma logomarca, o profissional de design está apto a construir imagens contribuindo de forma técnica ao posicionamento de marcas. Reconhecido no País e no Exterior pela sua qualificação e profissionalismo, inclusive com significativos prêmios em festivais internacionais, o design brasileiro colhe resultados de um trabalho sério e baseado em princípios éticos. Já o serviço desenvolvido pelo site We do Logo atende a um nicho específico. 
Não representa tendência ou solução para o setor.


Em nosso entender, esta é mais uma oportunidade para discutir a evolução do mercado, os caminhos futuros do design brasileiro e mundial e as diversas nuances alcançadas pelo segmento. A entidade está à disposição para ampliar esse debate e se coloca como representante do setor, de suas empresas e profissionais, associados ou não.

Luciano Deos, presidente da Abedesign.


Portanto, o que podemos tirar de lição de toda essa história? O mercado avança, cria-se demanda e aparecem empresas para atendê-las nos mais diversos modelos (para as mais diferentes necessidades) e não há nada de errado com isso, afinal é sinal de evolução.

É o modelo ideal? Muita gente acha que não.

A We do logos atrapalha o desenvolvimento do mercado? Citamos aqui o dono da consultoria Sart Dreamaker, Gianfranco Rochichioli,”não acho que afete o meu escritório porque eu não entrego o que ele entrega. Nós não fazemos logos, desenho, criamos marcas. Quem contrata a We do logos não vai me contratar porque esse não é o foco dele”.

Contudo, se queremos criar uma cultura de mercado mais próxima ao ideal, não adianta apenas criticar. Como bem apontou Deos, é o momento para discutir caminhos e também colocar a mão na massa. “Precisamos nos posicionar, como a publicidade se posicionou anos atrás. Se sairmos da zona de conforto, continuarmos a desenvolver ações como tem sido feitas, com o Sebrae, Apex, entre tantas outras iniciativas, vamos ficar mais perto do que queremos”.
Nós, da revista abcDesign, tentamos fazer nossa parte difundindo para a nossa comunidade informações relevantes, fomentamos o debate, trazemos profissionais de fora para dividirem sua experiência, mas sempre há mais para se fazer.

E vocês, quais são os caminhos que vocês acham que o design pode tomar para que o mercado cresça, tenha mais trabalho pra todo mundo, que as empresas entendam e comprem mais design, que a qualidade se eleve e que o valor aumente?

Fonte: abcDesign (http://abcdesign.com.br/noticias/o-outro-lado-da-moeda/)

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